8 de agosto de 2017

TPM, cuidados e a importância de falar sobre menstruação

Um dia, cheguei furiosa em casa. Logo depois, veio aquela vontade de chorar. No trabalho, foi a mesma coisa: uma hora eu queria matar, na outra queria chorar. Queria deitar na cama,ficar embrulhadinha no edredom e dormir até as dores passarem. Não, não era gravidez, não era depressão. Era aquela fase que tem um nome marcado por três letrinhas: TÊ PÊ EMÊ. TPM



Tem mulheres que vivem tormentas durante este período. Outras, nem sabem o que é ter o peito dolorido a ponto de achar que está tendo é um infarto (#mulhersortuda!). TPM existe, lamentavelmente. E pra mim, ela tem marcado presença de uns tempos pra cá. É bem complicado falar sobre isso numa sociedade que não nos permite sofrer. Temos que ser fortes, felizes e gratos O TEMPO TODO


Uma das coisas que a terapia me mostrou foi a importância do autoconhecimento. Porque ele nos mostra quem somos e nos aponta meios para lidar com nossas dores, sejam elas físicas ou emocionais. E a TPM mexe muito com o meu emocional e com o meu corpo. Ter olhado mais pra mim de uns tempos pra cá me fez perceber toda essa explosão hormonal que tem rolado comigo e, paralelo a isso, desconstruído um paradigma do meu marido. Ele veio de uma família que não conversa sobre menstruação, sexualidade e genitálias. Ele sempre acreditou que tpm não existia e acredito que tenha sido pela ausência de vivência com isso. De alguém ter falado pra ele como é menstruar e tudo que o ciclo faz com o corpo das mulheres. 

O que eu quero dizer com esse post? Três coisas importantes:

1- Se conheça

Se observe, fique atenta com as mudanças do seu corpo e da sua mente. Respeite as suas próprias transformações. Isso é muito importante, mana! Se tiver algo diferente rolando, busque ajuda médica e profissional. Sofrer não é e nunca será a única alternativa.

2 - Se permita cuidados

Demorei pra aprender isso, mas ser cuidada também é importante. Não só durante da tpm, mas nos nossos momentos de dor. Não temos que ser fortonas o tempo todo. Se estamos com dor, estamos com dor e somente o cuidado poderá tirar a dor. Não ignore suas dores, seus sofrimentos.

3- Converse sobre seu ciclo

Os ciclos são muito particulares. O ciclo da sua mãe não é como o seu e o da sua cunhada pode ser ainda mais diferente. Muitas vezes por vergonha, a gente esconde menstruação, esconde cólica, esconde nosso ciclo.  Converse com seu cônjuge, seu irmão, colegas, com o chefe (se for o caso). Não somos loucas, somos seres que passam por mudanças hormonais o tempo todo e a sociedade precisa entender que nem sempre estaremos bem para dar #bomdia. Conversar sobre o ciclo é importante para que recebamos a ajuda necessária. Pode ser um chocolate, um remédio pra aliviar dor, um ombro amigo ou até mesmo o afastamento (caso você seja daquelas que gosta de ficar sozinha).

Abre a boca, mana!

Me conta como você fica durante a TPM. Compartilhe em suas redes sociais e vamos parar de sofrer caladinhas, tá bem? Então, tá bem!

AnaLu Oliveira
@oliveiranalu

19 de junho de 2017

A carta que não queria escrever para quem não queria ter conhecido



Hoje eu vi a sua face outra vez. Aquela face que me assusta e me faz chorar de desespero. A face que conheci,mas que nunca queria ter visto na vida. Seus gritos vieram encontrar meu ouvido de novo. Com medo,me tranquei no quarto e chorei. Enquanto vidros se quebravam (aquele copo que você quebrou hoje tinha valor sentimental,sua maldita) e você urrava sua raiva por ter ficado "de lado" tanto tempo,eu só me perguntava qual tinha sido a palavra que proferi para que você aparecesse outra vez. Você surgiu na minha vida como um parasita que domina a vida de quem eu amo,um parasita que não pode ser retirado de modo brutal. Aprendi (e tenho aprendido dia a dia) a te tolerar. Não por esperar que um dia você seja minha amiga,mas para preservar a saúde do meu amado. Para que ele te enfrente e te elimine das nossas vidas. 
Nunca quis ter te conhecido e não posso ignorar a sua existência. Odeio quando você dá as caras na minha casa,na minha vida. Quando você vem com suas visitinhas "surpresas" bagunçar meu esquema,me roubar o tesão,me fazer chorar. Odeio. Odeio o que você faz,mas espero ansiosamente pelo dia que nunca mais verei você destruir a minha casa,os meus sonhos,os meus dias.
Depressão,te tolero e te odeio.

Ps.: fiz esse texto porque esses dias o marido teve uma crise depressiva terrível. Para extravasar os sentimentos e seguir em frente. Me  conta: o que você faz quando se depara com alguém em crise? Precisamos falar sobre depressão!

Até mais!
AnaLu Oliveira

17 de maio de 2017

Ouvir o seu corpo, sentir o seu coração: uma lição do final de semana

Tem dias que precisamos de um lugar pra repousar a cabeça. Tem dias que é preciso mais que isso. Tem dias que são dias de enfrentamento; nossos monstros,fantasmas internos,dores e aqueles temidos sentimentos ruins que batem na porta do nosso coração. Eu não acredito na calmaria eterna,tampouco na tempestade que vem pra ficar. Eu acredito que é preciso libertar sentimentos - bons e maus. Esse lance de namastê full time não é pra quem vive na Terra. Gentes reais possuem sentimentos reais.

Minha cara pra quem vem com esse papo de paz, amor e magia!

Pra lidar melhor com a minha raiva e a minha frustração,me permiti uma pausa na rotina. Me permiti chorar,urrar,xingar. Eu sou alguém de verdade,com problemas reais e sentimentos reais.E isso me mostrou que meu corpo tem falado comigo. Tem me dado algum recado importante,algo que preciso ouvir. O que é? Ainda não sei. Mas,ouvir esta mensagem é meu desafio atual.


Deixo aqui a pergunta: você tem um minutinho para ouvir a palavra do seu corpo?! Tem um tempo para ouvir a si? Essa é a minha meta não só da semana, mas da VIDA!

Até mais!

AnaLu Oliveira

29 de abril de 2017

"Nâo sou a Mulher Maravilha": sobre lidar com a depressão de quem amamos

Maaaano, tinha muito tempo que não escrevia por aqui. Ser redatora e não escrever no próprio blog é algo tão paradoxal que chega a ser trágico. Na verdade, desde novembro tenho vivido um turbilhão de coisas. A vida a dois sempre nos traz alegrias; dormir de conchinha, maratonar uma série legal, assistir Star Wars (dá licença que aqui são dois nerds casados, tá bem?), passear, comer gordices, entre outras cositas.

Mas também traz desafios que exigem mudanças na dinâmica do casal. Um parente difícil, contas para pagar, preguiça de sair, doenças do cônjuge. No meu caso, a depressão. O marido foi diagnosticado com depressão há alguns meses e está em tratamento para lidar com a doença. 

E temos que falar que depressão é doença SIM! É preciso olhar para a depressão como ela é: UMA DOENÇA. O depressivo enfrenta diversas questões por conta da doença, questões que todo mundo sabe o quão complexas e delicadas são. Antidepressivos, terapias, atividades relaxantes fazem parte deste tratamento.

O que não falam é como nós, companheiras, amigos, familiares devemos agir diante disso. Nâo é fácil lidar com a depressão do outro. Porque é doído demais ver o ser amado sofrendo e não saber como agir. Ou não poder fazer nada para amenizar o sofrimento. A depressão do marido me mostrou duas coisas importantes:

1- Ficar quieta e não fazer nada são coisas diferentes (bjos, senhor Miyagi 💕)


Tem dias que o depressivo precisa é só ser ouvido. E como ouvinte, tenho que ficar quieta e atenta. Precisei de terapia pra entender que ouvir é um ato, uma ação importante no processo. Porque eu sempre fui alguém pronta para a ação, botar a mão na massa, sabe? Ficar quieta nunca foi meu forte,mas estou aprendendo a ser. 

2 - Não sou a Mulher Maravilha


Esta é a maior lição até o momento. Todos os dias, o meu maior desafio é largar o laço da Mulher Maravilha. Porque quando a depressão afeta alguém que amamos, imediatamente a gente quer salvar a pessoa desse mal, tal qual uma heroína cheia de super poderes. E isso é tão dolorido, não experimentem essa dor. Porque a gente não salva ninguém assim e a frustração é imensa quando vem essa constatação. Eu não sou a Mulher Maravilha é meu mantra diário.

Então, se você (assim como eu) também está nesta situação, vem que vai ter uma série de posts pra que possamos lidar com a depressão de quem amamos com mais tranquilidade e serenidade. 

Até mais!
AnaLu Oliveira

20 de fevereiro de 2017

Gente de sucesso chora e pede ajuda também!

Desde o começo da nossa vida, somos bombardeados com a ideia de crescimento e progresso. Nossa educação é voltada para que sejamos pessoas que vençam na vida. Ser alguém de sucesso em todas as fases da nossa existência. E de uns tempos pra cá tenho percebido o quanto isso tem nos matado. Porque, a ideia de fracassar não é tolerada nem por nós mesmos. Assumir a depressão ou alguma doença do tipo é tratado como um atestado de "eu falhei, gente". Ficar triste ou curtir uma bad é inaceitável.



Temos que ser felizes, otimistas, insistentes, perseverantes, espirituosos O TEMPO TODO. Meu Deus, que coisa opressora e...FALSA! Não somos felizes o tempo todo. Daí vem a dificuldade de ganhar o jogo do contente (sério, leiam Pollyanna! Um dos melhores livros do mundo <3): não dá pra ser contente o tempo todo. Tem dias que choramos; em outros, rimos loucamente. Tem dias que temos motivos para chorar, em outros não. 



Chorar faz parte da vida tanto quanto o riso, a alegria e a tristeza. Gente, FAZ PARTE. Aceitar isso é fundamental para a sanidade de cada um. E quando a dor estiver grande demais, peça ajuda. Para a família, para psicólogos, para Deus, para alguém. Mas, não guarde isso para si. Ninguém merece sofrer em silêncio. Nem eu, nem você. E pedir ajuda não te fará um fracassado,pelo contrário. Parar para cuidar das próprias dores te fará um ser humano melhor, acredite!



Se precisar de ajuda, conte com essa blogueira <3 

Boa semana, joviais!

AnaLu Oliveira
 

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